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Um Caso de ATM |
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(continuação do artigo anterior)
... Sendo assim, vou narrar o caso de uma paciente que me procurou a alguns anos atrás. Ela apresentava severos problemas relacionados ao lado esquerdo da ATM e eu não podia sequer tocar o seu osso zigomático esquerdo sem que ela pulasse de dor. Ela tinha fortes dores de cabeça e o tempo todo apresentava um pescoço retesado. Além disso, seu braço e ombro esquerdo doíam muito. Seu filho, um dentista, fez o que podia usando seus métodos.
Ela usava um aparelho dental à noite e um outro durante o dia. No entanto, não apresentava nenhuma melhora e estava começando a ficar desesperada. Seu filho havia ouvido falar sobre o C.S e sugeriu que ela fosse me ver antes da próxima etapa do tratamento - a remodelagem de seus dentes.
A avaliação do sistema CrânioSacro revelou que os ossos temporais estavam mal posicionados e não se moviam de acordo com o movimento. Uma avaliação mais profunda revelou que o problema vinha da coluna lombar, mais precisamente de um mal posicionamento do sacro. Isso ocorria devido à ação de alguns músculos, chamados piramidais, que apresentavam um estado de contração anormal. A senhora me relatou que antes dos problemas começarem, ela havia desmaiado no chão de sua cozinha. A razão desse desmaio foi uma overdose de remédios para pressão alta. Neste momento, eu estava aprendendo como uma síndrome da ATM podia começar. A queda, pelo desmaio, ocasionou uma torção da base de sua coluna. Essa torção foi mantida devido à contração e paralisação dos músculos da pélvis que, de uma certa maneira, estavam defendendo-a de um dano ainda maior. Eu aprendi nesses anos que vários mecanismos de defesa que nos protegem e talvez salvem as nossas vidas em tempo de emergência, podem também nos prejudicar. Isto acontece porque esses mecanismos não são automaticamente desativados após o acidente ou o perigo passar.
Aquela senhora, quando contraiu o músculo piramidal, estava impedindo o sacro de acompanhar o ritmo crânio sacral. Essa condição estava produzindo uma tensão anormal no tubo dural, que sobe até os ossos do crânio. Sendo os temporais extremamente sensíveis a qualquer tipo de tensão anormal na base do crânio, o mal posicionamento desses ossos foi a conseqüência direta.
Eu decidi então, abordar o problema a partir de sua causa. Comecei a trabalhar no músculo piramidal que estava, de maneira imprópria, prendendo o sacro. Isso me levou a colocar uma das mãos por baixo de seu glúteo direito, e a outra mão ficou ficou posada na parte anterior direita da pélvis. Após cinco minutos o piramidal começou a relaxar e, quando isso aconteceu, eu pude sentir o sacro soltar. Comecei a encorajar e a suportar o movimento do sacro, em resposta ao ritmo do sistema crânio sacral. A dor começou a sair e ela sorria e chorava ao mesmo tempo, mas seu pescoço continuava retesado. Fui para o lado esquerdo de sua pélvis e liberei o piramidal esquerdo e, com isso, a tensão de seu pescoço foi diminuindo. Não precisei convencê-la com palavras, os resultados falavam por si só.
O músculo piramidal necessita de exercícios para manterem-se relaxados. Ensinei esses exercícios para ela, afim de prevenir problemas recorrentes. Continuei a vê-la, semanalmente, durante dois meses. Agora, eu a vejo a cada três ou quatro meses, somente para manutenção do trabalho.
John Upledger (Transcrição de artigo editado pela revista Massage Magazine, March/April 1997)
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