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A motivação de Cuidar

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A motivação de Curar 


Artigos

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Esse texto visa a orientação do terapeuta de CrânioSacro Essencial em  sua formação profissional.

 O assunto básico a ser tratado é o Cuidar. Este tema pode ser aplicado em qualquer forma de atendimento na área da Saúde ou melhor, em qualquer forma de relacionamento humano. Acredito que a maioria dos terapeutas já deva ter pensado, mesmo que superficialmente, sobre este tema pois escolheram uma profissão que inclui, em sua prática, o cuidar de outro ser humano. Para alguns esta motivação esteve clara desde o inicio, para outros nem tanto. O fato é que, consciente ou não, este desejo de cuidar do outro se atualiza a cada atendimento. As situações difíceis que os pacientes nos colocam dentro da clínica, nos fazem checar, nem que seja por alguns instantes, a veracidade desta motivação. Muitos terapeutas iniciam a sua vida profissional entusiasmados com a idéia de cuidar e sentem-se capazes de resolver qualquer tipo problema ligado a clínica. Mas depois de um certo tempo essa energia se desvanece, devido as frustrações que os pacientes lhes trazem. As demandas são imensas e  as dores são de toda ordem: físicas, emocionais e existenciais. Pensando nessa frustração, vemos que muitas vezes o querer cuidar foi trocada pelo querer curar e, apesar da maior boa intenção, essa direção pode levar o terapeuta a ficar mais interessado nos resultados do tratamento do que na própria pessoa que está sendo tratada. Se os resultados do tratamento forem satisfatórios, o terapeuta poderá se sentir orgulhoso tirando deste estado a sua maior satisfação e posicionando secundariamente o cuidado pelo paciente. Em caso de fracasso em relação à cura, o terapeuta poderia se sentir frustrado e derrotado. Perdendo o seu entusiasmo inicial, o paciente já não seria mais o objeto de seu interesse e, nesses casos, é possível que o terapeuta reaja a essa situação culpando, de alguma maneira, o paciente pelo fracasso do tratamento. Ora, chegamos a um impasse: para esses que transformam o desejo de cuidar no desejo de curar os resultados podem ser paradoxais e ao invés do foco do tratamento estar no paciente ele acaba permanecendo na performance do terapeuta.

 Mas o que podemos fazer? Talvez precisemos pensar melhor sobre essa motivação. Será possível ter este tipo de cuidar? O que difere esta atitude de cuidar da atitude de curar?

 O treinamento do CrânioSacro Essencial oferece, mesmo sem ter esta como primeira intenção, uma interessante alternativa para essa questão. Primeiramente, a motivação de cuidar tomou a forma de acolhimento; uma palavra que resume aceitação e suavidade. Pela própria natureza da técnica, é quase impossível induzir a cura sem passar pelo acolhimento.

 Na realidade, o acolher torna-se mais importante que o curar. A princípio isto pode parecer estranho e mesmo irresponsável, mas sem o acolhimento não poderemos pensar em cura. É claro que poderão ocorrer curas sem passar pelo acolhimento, mas estas serão parciais e não utilizarão plenamente o potencial de transformação que uma cura com base no Acolhimento oferece. Para manter viva a motivação de cuidar deveremos desenvolver o acolhimento e para manter o Acollhimento precisaremos estar, se possível, conscientes da motivação de cuidar.

Alguns tópicos poderão ser listados em defesa da inclusão desta nova abordagem no treinamento do terapeuta:

ü       Desenvolver a motivação de cuidar só depende da vontade do terapeuta. Apesar de estar voltado para o paciente, este não determinará diretamente a motivação de cuidar do terapeuta, já que esta pode ser desenvolvida imparcialmente a todos os pacientes que procuram um tratamento.

ü       Centrado nesta motivação, as expectativas de um bom desempenho, que tanto perturbam os profissionais que são excessivamente exigentes, diminuem, sendo possível ter uma atuação mais relaxada e descontraída

 Aparentemente isto pode parecer fácil mas na realidade, logo que nos convencemos do valor dessa abordagem, nos deparamos com as maiores dificuldades em manter esse posicionamento. Normalmente as entidades de ensino dos profissionais de saúde não levam em consideração este tema. Para entendê-lo e aceitá-lo é preciso experiência e liberdade de escolha por parte do terapeuta. E acima de tudo, para que isso seja verdade, deveremos exercitar essa motivação diariamente, se possível, e conferirmos em cada atendimento sua utilidade.

 Finalizando, podemos comparar o nosso trabalho ao homem do campo que cultiva sua terra a maior parte de sua vida, não se importando se a colheita é boa ou ruim. Este é o seu trabalho e nesse aspecto, o nosso trabalho de cuidar é igual.

 

 

Artigos:

 

Os Paradoxos do CrânioSacro Essencial
Anatomia e Fisiologia
O Caminho do Acolhimento
Síndrome da Articulação Temporo-Mandibular (ATM)
Um Caso de ATM
CrânioSacro Balancing
Técnica das Linhas de Acesso
A Motivação de Cuidar X A Motivação de Curar

 

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